11.01.2012 - 16h01
Com o apoio do Funcultura, Kleber Mendonça lança seu primeiro longa-metragem que terá estréia no Festival de Rotterdam
Victor Jucá
O Som ao Redor, a estréia do cineasta Kleber Mendonça Filho no longa metragem de ficção, terá seu lançamento mundial na mostra competitiva - Tiger Competition - do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, que acontece de 25 de janeiro a 5 de fevereiro na Holanda.
O filme, produzido pela CinemaScópio com incentivo do Ministério da Cultura via edital de Filmes de Baixo Orçamento e Governo de Pernambuco - via Funcultura, e patrocínio da Petrobras, foi filmado em julho e agosto de 2010 e chega dois anos após o lançamento de Recife Frio, o último trabalho do cineasta e roteirista.
O filme tem como cenário uma rua de classe média na zona sul do Recife onde a maior parte dos imóveis pertence a uma mesma família. Nesse espaço, o patriarca (WJ Solha) é um senhor de engenho urbano que irá abrir espaço para a chegada de um homem carismático (Irandhir Santos) que vem oferecer serviços privados de segurança aos moradores.
Kleber Mendonça Filho acredita que "o filme registra um momento específico de desenvolvimento no estado de Pernambuco, onde muita coisa muda e avança, para tantas outras permanecerem iguais, regidas pela tradição e carga históricas. É também um filme sobre a relação que temos como cidadãos com espaços públicos e espaços privados", tema já observado pelo cineasta em filmes anteriores como Enjaulado (1997), Eletrodoméstica (2005) e Recife Frio (2009).
O Som ao Redor chega depois de seis curtas metragens escritos e realizados pelo cineasta Kleber Mendonça Filho - Enjaulado (1997), A Menina do Algodão (em parceria com Daniel Bandeira, 2003), Vinil Verde (2004), Eletrodoméstica (2005), Noite de Sexta Manhã de Sábado (2006), Recife Frio (2009) - e um documentário de longa-metragem (Crítico, 2007, 75'), onde a experiência de observar o cinema como crítico foi registrada ao longo de oito anos.
O Som ao Redor foi rodado em julho e agosto de 2010, durante 6 semanas e 3 dias, em locações na cidade do Recife e Zona da Mata de Pernambuco. O processo de montagem transcorreu entre outubro de 2010 e dezembro de 2011.
Com um orçamento de um milhão e oitocentos mil reais (incluindo pós-produção), o roteiro original foi escrito em 2008. No ano seguinte, o próprio Festival de Roterdã premiou o desenvolvimento do roteiro com o fundo Hubert Bals e uma nova versão foi selecionada para o prêmio de produção no edital do MinC. Logo depois, a Petrobras premiou o mesmo roteiro, assim como o Funcultura do Governo de Pernambuco.
O filme conta com um elenco majoritariamente pernambucano, mesclando atores profissionais e não profissionais. Entre os profissionais, destacamos Irandhir Santos (Amigos de Risco, Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo, Tropa de Elite 2, Febre do Rato), Maeve Jinkings (Falsa Loura, Era Uma Vez Verônica, novo filme de Marcelo Gomes ,Boa Sorte Meu Amor, primeiro longa do pernambucano Daniel Aragão), W.J. Solha (A Canga, Era Uma Vez Verônica), Clebia Sousa (que acaba de filmar Tatuagem, de Hilton Lacerda) e Gustavo Jahn, também cineasta e que protagonizou Os Residentes. Entre os não profissionais, Lula Terra, Clara Oliveira, Felipe Bandeira e Irma Brown.
Sinopse
A vida numa rua de classe-média na zona sul do Recife toma um rumo inesperado após a chegada de uma milícia que oferece a paz de espírito da segurança particular. A presença desses homens traz tranqulidade para alguns, e tensão para outros, numa comunidade que parece temer muita coisa. Enquanto isso, Bia, casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho. Uma crônica brasileira, uma reflexão sobre história, violência e barulho.