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23.07.2011 - 16h07

Um “mar” tomou conta do FIG e agradou crianças e adultos

Leidson Ferraz

Jaqueline Maia

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Espetáculo Teatro Infantil Fluvio e o Mar, no Parque Euclides Dourado

Um pano enorme azul cobriu grande parte do Pavilhão do Teatro Para a Infância do FIG 2011 na sexta-feira, 22 de julho, durante a apresentação da peça “Flúvio e o Mar”, do Coletivo Artístico Atores à Deriva, do Rio Grande do Norte. Esse momento poético e divertido, afinal, crianças de todas as idades encantaram-se com aquele marzão sobre elas, era na verdade um alerta à poluição. A fábula vivida pelo garoto Flúvio, de nome aquático, põe em evidência o quão importante é corrermos atrás de nossos sonhos, claro, com respeito à Natureza. Flúvio, morador de uma terra seca, mas com destino de onda, quer conhecer o mar e, na sua aventura, encontra personagens excêntricos que o fazem ver que “entrar na estrada do desejo, é estar disposto a mudar e reciclar o pensamento”, como diz partes do texto escrito e encenado pelo diretor Henrique Fontes.

Há achados poéticos em toda a trama deste menino que joga-se no vento para seguir seu destino, com participação de música ao vivo e poucos elementos visuais na cena (alguns, inclusive, poderiam ter uma teatralidade mais acentuada, especialmente nos figurinos pouco inventivos). O momento em que três (apenas três) crianças deveriam subir no palco foi divertidíssimo, mas umas cinqüenta se dispuseram a tal, e a projeção de tantos meninos e meninas por trás de um telão ganhou uma força bem maior. O público aprovou o espetáculo, especialmente por não menosprezar a inteligência e a sensibilidade dos pequenos ou grandes espectadores. A montagem estreou em outubro de 2010, em Natal, e neste final de semana integra o 8º Festival de Teatro Para Crianças de Pernambuco, no Recife.

A pedagoga Edilene Miranda, de Teófilo Otoni, Minas Gerais, de férias em Garanhuns, trouxe os dois filhos e dois sobrinhos, de sete aos 13 anos. “É importante apresentar peças como esta, com uma mensagem positiva às crianças, de determinação e cuidado ao meio ambiente”, comentou. “O melhor é perseverar e acreditar que tudo pode”, complementou a professora garanhuense Valquíria Souto, acompanhada de quase toda a família (mãe, irmã, cunhada, filha e dois sobrinhos, estes últimos de seis a oito anos), bastante feliz com o resultado de “Flúvio e o Mar”. No elenco, os atores Bruno Coringa, Doc Câmara, João Victor Miranda, Paulo Lima e o músico Wesli Dantas. Ao final da apresentação, o diretor Henrique Fontes abordou alguns aspectos do seu trabalho.

Que elementos você acredita que o teatro para crianças precisa ter?
Estamos descobrindo, já nesse primeiro trabalho de teatro para a infância da nossa trajetória, que é muito difícil fazer teatro para crianças porque requer uma linguagem própria, isso no sentido da dramaturgia, da própria estética, que tem que ser muito investigada. Estamos ainda começando nisso, mas acredito que a música comunica muito para a criança, ao mesmo tempo em que a dramaturgia precisa falar das coisas de hoje, já que as crianças estão a fim de ver histórias fabulosas, mas com alguns relances do cotidiano delas, para que elas possam se relacionar. Outro dado é que, mesmo sendo importante checar com a plateia, a dramaturgia não pode se basear apenas numa comunicação direta (de participação ativa da criança), mas deixar que os elementos comuniquem por si. Acredito que esses são os grandes caminhos para se construir o teatro para crianças.

Vocês montaram a peça adulta “A Mar Aberto” (já vista no FIG) e, agora, estão com esse trabalho para crianças, “Flúvio e o Mar”. Por que essa fixação com o universo marítimo?

Acho que faz parte da linguagem do grupo. Isso porque somos de Natal, uma cidade de cultura praieira e não temos como negar esse mar imenso, afinal, são 180 quilômetros de litoral! Então, começamos a investigar o mar como símbolo nosso, metáfora para essa busca de desejos e a realização dos mesmos. Portanto, acho que é uma escolha ligada às nossas origens.

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